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Sobre essa coisa de novas mídias e experimentação

Por Rodrigo Alexandre Coelho

Acredito que minha opinião sobre o viral “Gordos” da Cia. Athletica já esteja bastante clara. Apesar disso algumas outras questões se apresentaram e o Rafael, colega blogueiro, me fez um convite para falar sobre elas aqui. Obrigado Rafael.

Acredito em blogs e em posts que sejam absolutamente pessoais, ou seja, expressam opiniões pessoais, como em uma conversa entre amigos, não os vejo como espaço para reflexos, teses, teorias e tratados profundos. Digo isto apenas como “ressalva”, para deixar claro que as respostas que darei aos questionamentos levantados pelo Rafael são apenas minha opinião, embasadas em minhas experiências pessoais e profissionais, não pretendo teorizar sobre o assunto, apenas mostrar o que penso.

O que acho das experimentações com as “não tão novas mídias”?

1º- Experimentar com as novas mídias é uma obrigação de quem quer permanecer vivo no mercado.

2º - É excelente experimentar.

As novas mídias são uma caminho sem volta (alguém duvida?), não estar pensando e atuando com os novos formatos de marketing, publicidade e mídia é acionar a contagem regressiva para a perda absoluta do bonde do mercado.

Experimentar é excelente e pra justificar isso prefiro usar as palavras do Cavallini:

“Experimentação é correr o risco de ter um resultado bem acima da média.”

Apesar de as novas mídias, já não serem tão novas, a verdade é que o mercado ainda está perdido em relação a elas, os modelos de atuação ainda não estão estabelecidos, quase tudo é experimentação, quase todas as ações se dão ainda em uma sala escura, onde os modelos não estão estabelecidos e os resultados não são totalmente mensuráveis. Para alguns pode parecer desesperador, mas este é o típico caso onde você pode ganhar ou perder ao agir e que você irá perder, se não agir. De novo, experimentar é obrigação de quem quer continuar no jogo e não um mérito de ousadia, criatividade e pioneirismo.

O erro é válido?

O erro faz parte do processo. O cenário é novo, talvez por atraso nosso, mas ele é novo, e nesse caso não errar é “ganhar na mega-sena” (considerem isso como sinônimo de sorte desmedida) ou resultado de falta de experimentação, convenhamos que “ganhar na mega-sena” é uma improbabilidade, então errar é quase o caminho natural. Pensem naquela conversa em que se diz: “A gente tem que entrar nessa de novas mídias, vamos fazer como aquela outra empresa, a campanha não deu em nada, mas foi barato é seguro e a gente pode falar que participa dessa onda de novas mídias”. É evidente que isso é o mesmo que não experimentar e não experimentar (sim serei repetitivo!) é nadar pra morrer na praia.

Quem dá a cara pra bater e experimenta de verdade?

Não é muita gente, pelo menos não da forma como eu penso a experimentação, mas há quem diga que eu sou um romântico.

Perguntas respondidas quero relacioná-las com o viral “Gordos” da Cia. Athletica:

O erro foi válido?

Existem erros e erros. Um erro comum na publicidade é ela falhar como campanha, ou seja, esperava-se aumentar as vendas em 15% e no final as vendas não tiveram nenhuma alteração. Parece triste, mas acontece o tempo todo, dinheiro jogado fora, a campanha falhou. Uma campanha que falha e ainda cava a cova e espera com a pá de cal na mão é inconcebível (não acho que seja o caso, mas pensei que daria um tom dramático, teatral, exagerado). Uma campanha que não só não alcança os objetivos, mas ainda mancha a imagem da marca não é só um erro, mas uma irresponsabilidade (acho que é o caso!).

Eles deram a cara pra bater? Experimentaram?

Acho que não. Usaram um modelo velho e desgastado.

Eles falaram que tentaram fazer uma pegadinha? Deus do céu, isso é dos tempos de Silvio Santos e Ivo Holanda. Alguém ainda lembra disso? Se perguntarem pra um adolescente ele nem deve saber o que é isso.

Em comentário em post do Estalo o Maestro Billy falava que a piadinha do gordo-outdoor é tão velha quanto “perguntar pro altão da classe se está frio lá em cima”, outra vez modelo velho e desgastado, qual a experimentação?

Viral? Viral não é mais experimentação, aliás há até quem já tenha declarado a morte do viral, velharia (estou exagerando, mas convenhamos que não é novidade).

Pra resumir a questão, acho que o viral da Cia. Athletica foi um erro, ou uma irresponsabilidade, falo de conteúdo, pois os modelos da campanha não são exemplo de nada em se tratando de experimentação em novas mídias. Pra mim, falar que eles tentaram inovar quanto a formato e mídia é uma falácia!

Obrigado outra vez Rafael. E eu que achava que um blog não poderia ser democrático, você provou que pode.

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Rodrigo Alexandre Coelho, 25, blogueiro, publicitário e (em casos muito específicos) arquiteto. Fascinado por cidades adora viajar e ouvir os sons urbanos (até os piores). Autor do blog Nova Mídia-Novo Marketing.

Novas mídias e mais do mesmo

Por Alessandro Ribeiro

Ouvi dizer que a Cia. Athletica pegou pesado com o tal vídeo dos fiscais que abordam pessoas obesas nas ruas de São Paulo. Que não agradou nem a gregos, nem a troianos, nem a gordos, nem a magros. Digo que apenas ouvi dizer porque não tenho acompanhado a Blogosfera nos últimos dias. Recebi, claro, o vídeo por e-mail, mas só observei tais críticas minutos antes de iniciar este artigo. E por que este artigo? Porque após todo esse bafafá, recebi e aceitei o convite do Rafa, meu amigo e colega na Casa do Galo, para falar sobre um assunto: marcas que se aventuram nas novas, ou nem tanto, mídias.

Primeiramente, obrigado, Rafa, pelo convite! É com muito prazer e orgasmo que escrevo.

Ainda em tempo, dou minha breve opinião sobre o caso acima. Achei a idéia oportuna e engraçada, tirou-me sorrisos da boca. Ou seja, gostei do vídeo, sim. O fato da comunidade gordurosa se indignar com o viral, indigna-me em dobro. Li comentários ridículos que comparavam gordos à negros ou tratavam a obesidade como uma doença. Desculpe, mas obesidade não é doença, tampouco raça humana. Salvo Michael Jackson, um negro (ou afro-descendente, afro-brasileiro ou como achar adequado) será sempre negro e tem, sim, o direito de se sentir ofendido. Assim como o tem, também, o branco, o amarelo ou o vermelho. O gordo é gordo porque que quer. Seu problema, excluindo-se raríssimos casos, é psicológico. Pura falta de real força de vontade. Não quer se ofender? Emagreça.

Apenas para ilustrar, final de semana passado jantei em uma churrascaria-rodízio. Na mesa ao lado havia um homem, gordo, jantando sozinho. Atente para “gordo” e não “obeso”. Era visível, pela pele flácida da face e pelo formato do corpo, que era o típico caso do obeso que conseguiu, não importa como, emagrecer. Eis que o garçom, carregando no espeto uma bela picanha, passa, sem parar, pela mesa dele, que grita: “Passou direto por mim por quê?” – O garçom volta e descarrega algumas fatias da suculenta no prato do cidadãozão, que abre um sorriso do tamanho do estômago. Pergunto-vos: ele precisava estar lá, e sozinho?

Agora, sim. Falando sobre a que vim, o Rafa me fez três perguntas:

O que você acha sobre as marcas experimentarem essas não tão novas mídias e formatos?

O erro é válido?

Quantas marcas você vê por aí que dão a cara para bater neste tipo de iniciativa?

Acho que as empresas não fazem mais que a obrigação de explorarem as chamadas novas mídias. Quem ainda não experimentou, nem digo que esteja atrasado, mas liquidado. Não sou o maior defensor da internet, do mobile, da guerrilha etc., mas aquele que ainda acha que apenas o comercial de TV, os impressos e o “sitezinho que o meu sobrinho fez” vão ajudar a atingir um tal de Objetivo de Marketing, pode preparar o RH, pois vem corte aí. Se toda essa mudança de hábitos na sociedade mundial será boa ou ruim, só o tempo. Mas escolher ficar fora de tudo isso é, no mínimo, miopia. E das fortes.

Na agência que trabalho atualmente, enxergamos o on e o off, o above e o below, como um único universo. Como uma coisa só. Nada de 360°. Acreditamos que a comunicação hoje é uma via de mão-dupla, em que o grande barato é fazer as pessoas irem do real para o virtual sem nem perceber. E vice-versa. Acho essa uma visão mais ampla e avançada da questão.

Se o erro é válido? Errar pode até ser válido, mas se for para errar, que seja o concorrente. Todos sabemos que o mercado não permite erros. E voltando ao caso Cia. Athletica, não acho que eles tenham errado. Recentemente, a mesma Cia. Athletica levou Leão em Cannes, com o filme que mostro abaixo, e todo mundo gostou.

A mensagem é a mesma: para não passar por esse tipo de situação, faça Cia. Athletica. Em outras palavras, para deixar de ser gordo, emagreça, pratique exercícios.

Há um tempo, tem muita gente querendo fazer viral. Já virou pastelaria, coisa comum. Muitas marcas exploram as novas mídias, mas poucas com grandes propostas ou bons conteúdos. E pouquíssimas com criatividade. Usar só por usar, melhor continuar nas mídias tradicionais.

PS: exemplo recente de um verdadeiro viral, tanto em acessos como em conteúdo e criatividade. Vídeo da Levi’s.

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Alessandro Ribeiro
, 25, publicitário por formação e redator por profissão e falta de opção. Já passou por Submarino, Ideal Interactive e agora cola na Gruda em Mim (Que o Boi Não Te lambe). Mantém o blog O Bolacheiro.

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    http://www.youtube.com/watch?v=hOUz5v7U4Uw


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