A Propaganda Ainda Tem Brilho?

12 November 2008 8 Comentários

Na década de 70, Carlos Drummond de Andrade escreveu uma crônica em que falava, entre outras coisas, sobre o prazer em ver anúncios que são capazes de vender pelo menos um sorriso e encantar pela criatividade.

“Confesso que um de meus prazeres é saborear os bons anúncios jornalísticos de coisas que não pretendo, não preciso ou não posso comprar, mas que me atraem pela novidade da concepção, utilizando ´macetes` psicológicos sutis e muito refinamento de arte. É admirável a criatividade presente nessas obras de consumo rápido, logo substituídas por outras. São anúncios que muitas vezes nos prestam serviço, pela imaginação e pelo bom humor que contém. E se nos ´vendem` pelo menos um sorriso, ajudam a construir um dia saudável de trabalho”

Felipe Senise, do coletivo Estalo, iniciou uma discussão questionando se a propaganda ainda tem esse mesmo efeito nos dias de hoje, com inúmeras opções de entretenimento e outras coisas mais interessantes para se investir tempo.

Falando em Brasil, pinto o cenário de que o rapaz, pai de família, que trabalha de segunda a sábado para pagar as dívidas e se emociona ao assistir o “curíntia” subir no final de semana ainda abre um sorriso quando chega no boteco e bebe uma com os amigos “brahmeiros”.

É bem capaz que ele não dê tanta bola para a nova traquitana tecnológica que a ação mobile hype do momento desenvolveu, mas aquele anúncio no jornal do dia a dia, ou no intervalo da novela da “patroa”, ainda tem grandes chances de arrancar um sorriso maroto, uma gargalhada e, com alguma sorte, virar o assunto da semana no batente do dia seguinte.

Outro movimento é a humanização das marcas. A quebra da impessoalidade e frieza na relação. O que pode também transformar um simples anúncio, que algumas vezes é visto como “aquela coisa chata que atrapalha o que eu quero ver”, em um conselho de amigo, uma brincadeira, um motivo para sorrir.

O brilho da propaganda ainda existe. E não me parece que vai acabar tão cedo.

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8 Comentários »

  • Tiago Moralles disse:

    Cara, bem observado. O que faz a propaganda ainda permanecer com seu casual brilho, é a capacidade de criar bordões e se infiltrar na nossa cultura. Como disse Drummond, “utilizando ´macetes`”, eu acho que é nesses macetes que a propaganda se faz cada vez mais viva e pertinente a nossa rotina.
    E como você disse, “mas aquele anúncio no jornal do dia a dia, ou no intervalo da novela da ‘patroa’, ainda tem grandes chances de arrancar um sorriso maroto”, esse é o grande o momento de alcance, onde grande parte da população ainda não tem acesso aos novos meios.
    E que continue brilhando.

    O último post de Tiago Moralles foi Resultado do FUC e do Caracol de Prata

  • Leandro Bulkool disse:

    Na minha opinião ela está bem longe de perder o seu brilho, apenas encontra-se adaptando-se a novos formatos.

    Quer um exemplo?

    http://www.brainstorm9.com.br/2008/11/12/stella-artois-the-race/#comments

    O último post de Leandro Bulkool foi Idéias devem ser espalhadas

  • Leonardo disse:

    A propaganda ainda seduz. :)
    O último post de Leonardo foi As relações humanas no séc. XXI

  • Caio Blumer disse:

    Deus te ouça Rafa, Deus te ouça. Senão estamos ferrados heheh.

    Mas falando sério, tem coisa mais legal do que ver um anúncio que, além de levar sua marca, diverte o público, emociona ele, cria algum tipo de sentimento bom por aquele anúncio - e porque não ao anunciante?!

    :)
    O último post de Caio Blumer foi Do pop acústico para uma levada blues

  • Carlos Henrique disse:

    Eu tenho certeza que não perdeu o brilho e a prova disso é quando eu fiquei uma noite assistindo novela e passou a progaganda das havaianas (do escritório na praia, tirando um sarro no argentino), td mundo na sala começou a rir.
    Eu acho muito radical qndo alguém fala que a propaganda na midia de massa (tv, rádio..) vai acabar…
    Hoje, ainda é muito importante… por mais que a internet cresça, ngm parou de assistir tv.

    O último post de Carlos Henrique foi Bombril e Barack Obama

  • Diógenes disse:

    Olá Rafael, td bem? O Fábio me apresentou o seu blog. Muito pertinente, bem escrito e pontual. Já entrou em meus favoritos. Parabéns!

    O último post de Diógenes foi HTML, FLASH ou os dois?

  • Thiago Lira disse:

    Com os anúnciantes se preocupando cda vez mais em estreitar as relações com seus clientes vamos ter uma mudança significativa nos formatos tradicionais. Somente o anúncio do dia a dia no intervalo da novela não vai ser suficiente. A propaganda vai entrar na vida das pessoas de uma forma mais sútil (espero) ao invés de apenas patrocinar o conteudo e o anunciante tende cada vez mais a participar dele.

  • Rafael Amaral disse:

    Tiago Moralles: O Washington Olivetto costuma dizer que a propaganda tem que patir da linguagem e cultura popular. E muito bem lembrado, sempre há a adequação à realidade “Brasil” e, mais precisamente, à realidade local da região deste país “multi-tudo”.

    Leandro Bulkool: Acho que esse brilho está intimamente ligado à fragmentação da atenção e os múltiplos canais de informação que a tecnologia moderna trouxe.

    Leonardo: Te faz comprar um absorvente? ;)

    Caio Blumer: Sexo? Ok, ok. Profissionalmente falando, você tem certa razão ;P

    Carlos Henrique: Concordo. Acho extremista dizer que revista, jornal ou tv vão acabar.

    Diógenes: Obrigado pela visita e pelo elogio! Volte mais vezes.

    Thiago Lira: Eu isso já acontece. Obrigado pela visita!

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