A Propaganda Ainda Tem Brilho?
Na década de 70, Carlos Drummond de Andrade escreveu uma crônica em que falava, entre outras coisas, sobre o prazer em ver anúncios que são capazes de vender pelo menos um sorriso e encantar pela criatividade.
“Confesso que um de meus prazeres é saborear os bons anúncios jornalísticos de coisas que não pretendo, não preciso ou não posso comprar, mas que me atraem pela novidade da concepção, utilizando ´macetes` psicológicos sutis e muito refinamento de arte. É admirável a criatividade presente nessas obras de consumo rápido, logo substituídas por outras. São anúncios que muitas vezes nos prestam serviço, pela imaginação e pelo bom humor que contém. E se nos ´vendem` pelo menos um sorriso, ajudam a construir um dia saudável de trabalho”
Felipe Senise, do coletivo Estalo, iniciou uma discussão questionando se a propaganda ainda tem esse mesmo efeito nos dias de hoje, com inúmeras opções de entretenimento e outras coisas mais interessantes para se investir tempo.
Falando em Brasil, pinto o cenário de que o rapaz, pai de família, que trabalha de segunda a sábado para pagar as dívidas e se emociona ao assistir o “curíntia” subir no final de semana ainda abre um sorriso quando chega no boteco e bebe uma com os amigos “brahmeiros”.
É bem capaz que ele não dê tanta bola para a nova traquitana tecnológica que a ação mobile hype do momento desenvolveu, mas aquele anúncio no jornal do dia a dia, ou no intervalo da novela da “patroa”, ainda tem grandes chances de arrancar um sorriso maroto, uma gargalhada e, com alguma sorte, virar o assunto da semana no batente do dia seguinte.
Outro movimento é a humanização das marcas. A quebra da impessoalidade e frieza na relação. O que pode também transformar um simples anúncio, que algumas vezes é visto como “aquela coisa chata que atrapalha o que eu quero ver”, em um conselho de amigo, uma brincadeira, um motivo para sorrir.
O brilho da propaganda ainda existe. E não me parece que vai acabar tão cedo.






Cara, bem observado. O que faz a propaganda ainda permanecer com seu casual brilho, é a capacidade de criar bordões e se infiltrar na nossa cultura. Como disse Drummond, “utilizando ´macetes`”, eu acho que é nesses macetes que a propaganda se faz cada vez mais viva e pertinente a nossa rotina.
E como você disse, “mas aquele anúncio no jornal do dia a dia, ou no intervalo da novela da ‘patroa’, ainda tem grandes chances de arrancar um sorriso maroto”, esse é o grande o momento de alcance, onde grande parte da população ainda não tem acesso aos novos meios.
E que continue brilhando.
O último post de Tiago Moralles foi Resultado do FUC e do Caracol de Prata
Na minha opinião ela está bem longe de perder o seu brilho, apenas encontra-se adaptando-se a novos formatos.
Quer um exemplo?
http://www.brainstorm9.com.br/2008/11/12/stella-artois-the-race/#comments
O último post de Leandro Bulkool foi Idéias devem ser espalhadas
A propaganda ainda seduz.
O último post de Leonardo foi As relações humanas no séc. XXI
Deus te ouça Rafa, Deus te ouça. Senão estamos ferrados heheh.
Mas falando sério, tem coisa mais legal do que ver um anúncio que, além de levar sua marca, diverte o público, emociona ele, cria algum tipo de sentimento bom por aquele anúncio - e porque não ao anunciante?!
O último post de Caio Blumer foi Do pop acústico para uma levada blues
Eu tenho certeza que não perdeu o brilho e a prova disso é quando eu fiquei uma noite assistindo novela e passou a progaganda das havaianas (do escritório na praia, tirando um sarro no argentino), td mundo na sala começou a rir.
Eu acho muito radical qndo alguém fala que a propaganda na midia de massa (tv, rádio..) vai acabar…
Hoje, ainda é muito importante… por mais que a internet cresça, ngm parou de assistir tv.
O último post de Carlos Henrique foi Bombril e Barack Obama
Olá Rafael, td bem? O Fábio me apresentou o seu blog. Muito pertinente, bem escrito e pontual. Já entrou em meus favoritos. Parabéns!
O último post de Diógenes foi HTML, FLASH ou os dois?
Com os anúnciantes se preocupando cda vez mais em estreitar as relações com seus clientes vamos ter uma mudança significativa nos formatos tradicionais. Somente o anúncio do dia a dia no intervalo da novela não vai ser suficiente. A propaganda vai entrar na vida das pessoas de uma forma mais sútil (espero) ao invés de apenas patrocinar o conteudo e o anunciante tende cada vez mais a participar dele.
Tiago Moralles: O Washington Olivetto costuma dizer que a propaganda tem que patir da linguagem e cultura popular. E muito bem lembrado, sempre há a adequação à realidade “Brasil” e, mais precisamente, à realidade local da região deste país “multi-tudo”.
Leandro Bulkool: Acho que esse brilho está intimamente ligado à fragmentação da atenção e os múltiplos canais de informação que a tecnologia moderna trouxe.
Leonardo: Te faz comprar um absorvente?
Caio Blumer: Sexo? Ok, ok. Profissionalmente falando, você tem certa razão ;P
Carlos Henrique: Concordo. Acho extremista dizer que revista, jornal ou tv vão acabar.
Diógenes: Obrigado pela visita e pelo elogio! Volte mais vezes.
Thiago Lira: Eu isso já acontece. Obrigado pela visita!
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