Benefícios, pessoas e marcas

16 April 2008 8 Comentários

Três palavras-chaves estão ganhando destaque nas minhas leituras e discussões diárias. Confesso que tais discussões deveriam ser mais frequentes e mais abordadas mas, se existem, já tem o devido valor.

A primeira diz respeito à marca. Esta deve, como o Rodrigo Coelho comentou aqui, trazer benefícios às pessoas. Independente do que ela vende, se há concorrência, o leque de benefícios oferecidos pela marca é o que entra em jogo.

A segunda insiste em mudar o conceito ultrapassado de classificar pessoas como consumidores. Pessoas são pessoas, ponto. Se a marca está tão distante das pessoas, a ponto de enxergá-las como consumidores, alguma coisa está muito errada.

Por fim, a terceira diz respeito ao papel do cliente. Muito se diz sobre o papel da agência. Que esta deve criar conteúdo da marca para as pessoas. Errado. Celso Figueiredo, entre outros, já falaram a respeito de “verdade básica” ou “afirmação básica”. O produto deve ser útil às pessoas e ter benefícios capazes de persuadí-las. Não é papel dos redatores, diretores de arte e o escambal, “mascarar” o produto com adjetivos e afirmações.

Como bem disse a Gica Trierweiler:

“O papel do anunciante é criar produtos tão valiosos e úteis que as pessoas não queiram viver sem”

E você? O que acha?

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8 Comentários »

  • Rodrigo Alexandre Coelho disse:

    O Olivetto já disse que a pior coisa que pode acontecer a um produto ruim é ele ter uma boa propaganda. Ele falava isso porque a boa propaganda fará com que o produto seja conhecido e portanto, por ser ruim, desmascarado rapidamente.
    A afirmação de que o produto deve ser tão valioso e útil que se torne imprescindível é questão central, mas é a propaganda, normalmente e em grande medida, que fará com que esse produto “aconteça” no mercado, ou seja, acho que a propaganda tem sim que “adjetivar” o produto, mas mascará-lo é um tiro no pé!
    Obrigado pela citação e link ;)
    Rodrigo Alexandre Coelho’s last blog post..Lowe’s: Sunnyville | Que tal construir um jardim?

  • Antonio Vianei disse:

    Sou estudante de publicidade e visito blogs relacionados com a área diariamente. Gostaria de parabenizar os idealizadores do Estagiaridade. A linguagem de vcs é muito leve, o Lay-out limpo, e a construção de textos sempre com conteúdos de vanguarda. Isso faz com que o blog se torne uma importante colaboração para quem almeja ser publicitário. Hoje um meio marcado pela “mesmice”, tão carente de profissionais pensantes. Vocês conquistaram mais um leitor assíduo. Parabéns!

  • Rafael Amaral disse:

    Obrigado pelos elogios, Antonio!

    A participação de vocês, leitores, é o maior incentivo para o blog trazer cada vez mais conteúdo.

    Grande abraço!

  • Helder Encarnação disse:

    Enquanto o marketing tradicional delineava a sua teorização e acção começando no produto e acabando no consumidor, o moderno tem obrigatoriamente que colocar em primeiro lugar o enfoque neste último. Muito bom o artigo!

    Helder Encarnação’s last blog post..Tinto ou branco? Cheio!

  • Gi disse:

    “O papel do anunciante é criar produtos tão valiosos e úteis que as pessoas não queiram viver sem”.

    Se fossem criados produtos tão bons, a propaganda não poderia ficar em último plano?

    Numa sociedade consumista, como o nossa, o que verdadeiramente é relevante? Em que medida os produtos atuais são realmente necessários (úteis)?

    Às vezes tenho a sensação de que o que torna um produto necessário ao ponto de alguém não (cogitar) viver sem, pode não ser a sua essência (ou utilidade), mas o conceito que envolve/embala essa essência - a propaganda.
    Um exemplo comum, principalmente para mulheres sonhadoras, é quando nos apaixonamos. Corremos o risco de que seja pela idéia - de estar apaixonada ou a sensação que se tem ao vivenciar aquele sentimento - e não pelos atributos do objeto em si. Nesse caso, quando acaba o “encantamento”, percebe-se os reais contornos daquele objeto que outrora era tão atraente.

    Nossa imaginação pinta quadros, talvez até mais bonitos que a própria realidade…

    Bom, desculpem as minhas loucuras, quem sou eu pra afirmar qualquer coisa, só expressei minha opinião…Não são retóricas, são realmente dúvidas e/ou pensamentos que talvez estejam no caminho errado. :-)

    Assim como o Antônio Vianei, sou estudante e sempre procuro Blogs de publicidade. Este aqui foi um verdadeiro achado! Quando descobri, acreditei tratar-se de um Blog voltado unicamente aos estagiários(vida de…hehehe), mas felizmente descobri que vai além, principalmente ao suscitar reflexões sobre o papel da propaganda entre outras! Parabéns!!!
    abs,
    Gi
    =))

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