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Por Rafael Amaral

Publicijazz

Passado o fim tumultuado do semestre letivo, cá estou eu novamente, resistindo àquela tendência a jogar nos afazeres diários a culpa por não ter tempo de escrever.

Já dizia um ex-grande amigo meu: “Tempo você sempre tem, só que escolhe fazer outra coisa!”

Agora, por exemplo, escolhi não dar muita bola pra pressão daqui da ONG, já que o projeto que vinha tirando de mim até mesmo meu horário de almoço foi adiado, e vou usar meu tempo pra concluir esse post, que vem se arrastando há cerca de um mês.

Aproveito pra agradecer meu amigo virtual Diego Jock pela boa dica do nome.

O tema é complexo de um tanto que nem eu mesmo podia imaginar antes de começar a escrever.

De pensar superficialmente sobre o assunto já percebi que seria preciso muito, mas muito mais do que um post para abordá-lo. Me restou, pra cumprir a promessa feita no meu último post, fazer um resumo ou uma pequena introdução. Como as questões culturais e artísticas são sempre recorrentes nos meus textos, é bem provável que não fique só nisso.

A coisa toda começa assim: É possível estabelecer um paralelo entre a história e o desenvolvimento do jazz e a história e o desenvolvimento da publicidade.

Mudanças sociais e políticas, desenvolvimento tecnológico, pesquisas e uma série de outros acontecimentos transformaram os rumos do jazz tanto quanto os da publicidade.

O McDonald’s não vende mais “dois hambúrgueres, alface, queijo, molho especial, cebola e picles no pão com gergelim”, mas ele é “gostoso como a vida deve ser”.

Você, leitor, comedor de número 1, não precisa se desesperar. Não pararam de fabricar e nem de vender o Big Mac. Foi uma mudança conceitual de abordagem que rolou como uma resposta às inquietações do público consumidor e do mercado e a uma série de outros fatores que dariam boas horas de discussão.

E se você não se tocou, não sabia disso e nem nunca ouviu falar, passou da hora de fazer uma correria pra se inteirar. É um belo exemplo-clichê, só para esclarecer a idéia central da conversa.

Nos Estados Unidos, grandes músicos dos clubes de dança se cansaram de serem tratados como empregados, entrarem pela porta de serviço, serem mal remunerados e tratados como vagabundos, levados por um sentimento como que o de rebeldia, se apoiaram no mote “quero ver esses branquelos ricos dançarem essa minha música” e assim criaram o BeeBop, aclamado por qualquer um que tenha uma cultura musical um pouco mais refinada e reconhecido no mundo inteiro como “o” Jazz, em detrimento aos outros estilos de Jazz.

Acho que deu pra perceber que tem muito o que ser conversado, estudado, destrinchado sobre essa maluquice desse, em princípio, improvável paralelo.

Fica a dica do livro que aborda a história do jazz de maneira detalhada e completa: “Jazz, do Rag ao Rock”, de Joachim Berendt, Coleção Debates, Editora Perspectiva.

Oportunamente, agradeço à Yasmin Monteiro pelo reconhecimento e pelo convite! Tô torcendo pra que dê tudo certo!

Abraço a todos!

guilherme.jpgGui Pignata é músico, bacharel em Música Popular pela Unicamp, estudante de Publicidade e Propaganda da PUC-Campinas e designer gráfico da ONG Teatro de Tábuas.
Contato: guipignata@gmail.com

Por Rafael Amaral

Dando lugar aos mestres

Por Gui Pignata

masters.jpg

Em vez de fazer algum comentário ou discutir algum assunto, polêmico ou não, mesmo que construtivo, talvez seja mais oportuno, com a permissão de meu grande amigo Rafa Amaral, dar algumas dicas.

A primeira, que muito me lisonjeia, é o artigo do Washington Ollivetto na Casa do Galo, blog que tem me permitido arriscar minha cabeça publicando algumas bobagens eventuais.

Me perdoem pelo lugar-comum, mas Olivetto é mais uma vez genial. Põe um pouco de lenha na fogueira que alguns querem que apague e que por mim vira um incêndio.

Assim sendo, então, guardadas sempre as senhoras proporções, faço minhas as palavras dele.

Me lembrei de uma história:

Certa vez, uma jornalista - com formação em publicidade, importante salientar - que trabalhava com uma amiga minha numa grande empresa de Campinas, tirou uma foto com Olivetto num evento porque estava todo mundo tirando e depois foi perguntar pra sua gerente quem era aquele cara.

Motivo suficiente pra detonar mais uma daquelas discussões que eu adoro sobre conhecimentos gerais e específicos, os limites entre as faltas perdoáveis e o que não tem perdão.

Como Washington Olivetto não tem nada a ver com George Washington e Louis Armstrong não é o cara que pisou na lua, vou pra minha segunda dica: Herbie Hancock e Macy Gray grátis no parque Villa Lobos, em Sampa.

De carona, a terceira e última dica: Ken Burns Jazz.

Tanto o documentário quanto a coleção de discos.

Aos desatentos, a relação entre os assuntos não é só cultural.

Jazz e publicidade, do jeito que adoramos discutir, têm uma ligação nada forçada em quesitos como criação, invenção, reinvenção, quebra de paradigmas, evolução e revolução, entre tantas outras.

Mas fica aqui um gancho (do tipo novela das oito) pra meu próximo artigo.

Até lá!

guilherme.jpgGui Pignata é músico, bacharel em Música Popular pela Unicamp, estudante de Publicidade e Propaganda da PUC-Campinas e designer gráfico da ONG Teatro de Tábuas.
Contato: guipignata@gmail.com

Por Rafael Amaral

Sobre intervenções e performances

pantless.jpg

Após publicar o post sobre intervenções, convidei o amigo Ariel Gajardo para opinar sobre o uso de tais performances para fins publicitários. A resposta você confere abaixo:

Eu acho sensacional esse tipo de abordagem. Já escrevi sobre flashmobs, a galera do ImprovEverywhere e de como as marcas poderiam apropriar-se deste conceito para comunicar mensagens, no blog Impacto Criativo.

Assim sendo, vejo na ação do Lastminute.com um quê muito mais intervencionista do que “agregador” - caso dos flashmobs. É sim totalmente válida, afinal foge das já enfadonhas táticas de abordagem ditas “diferenciadas” - como o post no PromoPlanners bem comenta. Ou, como já vi na Paulista, pessoas colhendo assinaturas em troca de “revistas”, também para promover a ida das pessoas ao Teatro, numa aproximação nada estimulante.

Essas intervenções realmente diferenciadas produzem um resultado impressionante quando interagem com o público, o levam a tirar fotos e postar no seu blog ou a assistir um vídeo no YouTube depois, fora o impacto ao vivo impossível de não virar comentário. E com tudo que é ousado e dá certo sempre há o risco, por parte de alguns, de transformar em fórmula o que é fruto de pura criatividade. E elas quase sempre não funcionam como esperado porque perdem o aditivo fundamental: o inesperado.

Descartando os fatores “culhões”, “criatividade” e “adequação”, requisitos básicos para intervenções desse tipo, uma maneira interessante de dar sobrevida à essas ações em meio ao mar de tentativas frustradas é investir na interação e promover uma continuidade do diálogo com o público. Fazer com que a mensagem continue viva pela rede, no MSN, através de SMS ou em um game online. Dosar a medida certa as ferramentas interativas que farão o conteúdo continuar se espalhando e impactando as pessoas.

Apesar disso, só para continuar dando minhas humildes opiniões, flashmobs bem executados são muito mais genuínos, e por isso, eficientes. São feitos, teoricamente, do povo para impressionar o povo. Cabe a agência utilizar de forma adequada as redes sociais e as trocas de informações entre as pessoas para “esquentar” os movimentos, sem perder aquele caráter espontâneo engajador. Empolgar os participantes e facilitar o diálogo entre os entusiastas, dentro de um conceito que pegue o pessoal de jeito e que tenha a ver com o conteúdo da marca. E isso não é fórmula, porque dentro desses conceitos é possível imaginar milhões de possibilidades!

Obviamente, vou continuar pagando um pau para intervenções que deixam a galera boquiaberta, mesmo tendo uma queda muito maior por flashmobs que fazem pequenas massas insanas vibrarem por uma causa aparentemente nonsense.

ariel.jpgAriel Gajardo, 22 anos, é um apaixonado por marketing de guerrilha e os temas que envolvem a sua teoria e prática.

É colaborador nos blogs Sim,Viral e Impacto Criativo e blogou sua monografia sobre o marketing de guerrilha.

Por Rafael Amaral

Cadê o cara?

Por Gui Pignata

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Em 1985, a novela Roque Santeiro, estrelada por José Wilker, Lima Duarte e Regina Duarte, história de Dias Gomes escrita por Aguinaldo Silva, alcançou incríveis 90 pontos no capítulo final. É até hoje a novela de maior audiência da história da TV brasileira. (Patricia Kogut – Folha de SP, 14/05/2008).

Saudades dessa época.

Eu tenho um pouco. A Rede Globo certamente tem muita!

Sábado, dia 17, saiu na Folha, no caderno especial, página E4, anúncio em página espelhada: “Ô loco, meu! 1000 programas”.

Numa rua perto da PUC-Campinas um outdoor comparando Faustão ao Pelé. Não me lembro o título, mas era alguma coisa 1000 gols x 1000 programas (cá entre nós: sacanagem da grossa comparar o Pelé com o Faustão).

A Globo está desesperada e não é de hoje! Tem perdido a cada semana mais e mais pontos de audiência. E não adiantou nem a Ana Maria Braga levar o Ronaldo Fenômeno à sua chatice matinal.

Outros canais também estão no meio desse processo de migração de mídias e parece que ainda não se tocaram.

Uma iniciativa interessante no sentido de tentar sobreviver a isso foi implementada pela TV Cultura que reformulou totalmente sua grade há pouco tempo. A intenção era deixar a programação mais atrativa, com mais conteúdo e, no caso específico da emissora, cultura.

O que temos nós a ver com isso?

Quando fui convidado para escrever aqui no Estagiaridade, perguntei ao Rafa se tinha alguma restrição com relação a escrever sobre mídia, pois não me parecia ser o foco do site. Ele me confirmou que não era o foco, mas que mídia é um assunto relacionado, como é bem fácil perceber, e que, sendo assim, não teria problema.

Tenho tido cada vez mais a impressão de que a discussão sobre as mídias tem de vir primeiro, antes de nos preocuparmos com criação ou com técnicas.

Não é difícil a pessoa minimamente antenada, que navega na internet na mesma hora em que assiste TV, tem do lado uma revista aberta e no mesmo momento atende um telefonema.

O famoso (e já clichê) zapping de mídia já não é uma novidade e me leva insistentemente à pergunta da qual Dr. Geribello não enjôoa: “pra onde estará olhando aquele cara quando quisermos conversar com ele?”

Podemos ter a sacada mais criativa da história, mas colocá-la num outdoor no deserto de Mojave, acho que não é uma boa.

Grandes sacadas deram grandes resultados.

Elemidia e Enox.

A mídia indoor, quando bem feita, tem cumprido um papel bacana e tem dado algumas respostas pra gente sobre o que fazer e como achar aquele cara. Ele certamente olha pra parede quando, ao trocar o ‘Cansástico’ pelo Chopp Brahma, vai tirar a água do joelho.

De quebra, nesse tipo de mídia, sabendo onde ela está, já vêm quase resolvidas questões como personalização e fidelização da mensagem.

Se alguém tiver um palpite sobre qual será o próximo passo no caminho da migração das mídias e das audiências eu adoraria ouvir.

Em tempo:

No livro “Confissões de um Publicitário”, de Ogilvy:

“Depois do Teatro, a Publicdade é a profissão mais instável.”

Eu faço publicidade pra um teatro.

guilherme.jpgGui Pignata é músico, bacharel em Música Popular pela Unicamp, estudante de Publicidade e Propaganda da PUC-Campinas e designer gráfico da ONG Teatro de Tábuas.
Contato: guipignata@gmail.com

Por Rafael Amaral

Sobre essa coisa de novas mídias e experimentação

Por Rodrigo Alexandre Coelho

Acredito que minha opinião sobre o viral “Gordos” da Cia. Athletica já esteja bastante clara. Apesar disso algumas outras questões se apresentaram e o Rafael, colega blogueiro, me fez um convite para falar sobre elas aqui. Obrigado Rafael.

Acredito em blogs e em posts que sejam absolutamente pessoais, ou seja, expressam opiniões pessoais, como em uma conversa entre amigos, não os vejo como espaço para reflexos, teses, teorias e tratados profundos. Digo isto apenas como “ressalva”, para deixar claro que as respostas que darei aos questionamentos levantados pelo Rafael são apenas minha opinião, embasadas em minhas experiências pessoais e profissionais, não pretendo teorizar sobre o assunto, apenas mostrar o que penso.

O que acho das experimentações com as “não tão novas mídias”?

1º- Experimentar com as novas mídias é uma obrigação de quem quer permanecer vivo no mercado.

2º - É excelente experimentar.

As novas mídias são uma caminho sem volta (alguém duvida?), não estar pensando e atuando com os novos formatos de marketing, publicidade e mídia é acionar a contagem regressiva para a perda absoluta do bonde do mercado.

Experimentar é excelente e pra justificar isso prefiro usar as palavras do Cavallini:

“Experimentação é correr o risco de ter um resultado bem acima da média.”

Apesar de as novas mídias, já não serem tão novas, a verdade é que o mercado ainda está perdido em relação a elas, os modelos de atuação ainda não estão estabelecidos, quase tudo é experimentação, quase todas as ações se dão ainda em uma sala escura, onde os modelos não estão estabelecidos e os resultados não são totalmente mensuráveis. Para alguns pode parecer desesperador, mas este é o típico caso onde você pode ganhar ou perder ao agir e que você irá perder, se não agir. De novo, experimentar é obrigação de quem quer continuar no jogo e não um mérito de ousadia, criatividade e pioneirismo.

O erro é válido?

O erro faz parte do processo. O cenário é novo, talvez por atraso nosso, mas ele é novo, e nesse caso não errar é “ganhar na mega-sena” (considerem isso como sinônimo de sorte desmedida) ou resultado de falta de experimentação, convenhamos que “ganhar na mega-sena” é uma improbabilidade, então errar é quase o caminho natural. Pensem naquela conversa em que se diz: “A gente tem que entrar nessa de novas mídias, vamos fazer como aquela outra empresa, a campanha não deu em nada, mas foi barato é seguro e a gente pode falar que participa dessa onda de novas mídias”. É evidente que isso é o mesmo que não experimentar e não experimentar (sim serei repetitivo!) é nadar pra morrer na praia.

Quem dá a cara pra bater e experimenta de verdade?

Não é muita gente, pelo menos não da forma como eu penso a experimentação, mas há quem diga que eu sou um romântico.

Perguntas respondidas quero relacioná-las com o viral “Gordos” da Cia. Athletica:

O erro foi válido?

Existem erros e erros. Um erro comum na publicidade é ela falhar como campanha, ou seja, esperava-se aumentar as vendas em 15% e no final as vendas não tiveram nenhuma alteração. Parece triste, mas acontece o tempo todo, dinheiro jogado fora, a campanha falhou. Uma campanha que falha e ainda cava a cova e espera com a pá de cal na mão é inconcebível (não acho que seja o caso, mas pensei que daria um tom dramático, teatral, exagerado). Uma campanha que não só não alcança os objetivos, mas ainda mancha a imagem da marca não é só um erro, mas uma irresponsabilidade (acho que é o caso!).

Eles deram a cara pra bater? Experimentaram?

Acho que não. Usaram um modelo velho e desgastado.

Eles falaram que tentaram fazer uma pegadinha? Deus do céu, isso é dos tempos de Silvio Santos e Ivo Holanda. Alguém ainda lembra disso? Se perguntarem pra um adolescente ele nem deve saber o que é isso.

Em comentário em post do Estalo o Maestro Billy falava que a piadinha do gordo-outdoor é tão velha quanto “perguntar pro altão da classe se está frio lá em cima”, outra vez modelo velho e desgastado, qual a experimentação?

Viral? Viral não é mais experimentação, aliás há até quem já tenha declarado a morte do viral, velharia (estou exagerando, mas convenhamos que não é novidade).

Pra resumir a questão, acho que o viral da Cia. Athletica foi um erro, ou uma irresponsabilidade, falo de conteúdo, pois os modelos da campanha não são exemplo de nada em se tratando de experimentação em novas mídias. Pra mim, falar que eles tentaram inovar quanto a formato e mídia é uma falácia!

Obrigado outra vez Rafael. E eu que achava que um blog não poderia ser democrático, você provou que pode.

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Rodrigo Alexandre Coelho, 25, blogueiro, publicitário e (em casos muito específicos) arquiteto. Fascinado por cidades adora viajar e ouvir os sons urbanos (até os piores). Autor do blog Nova Mídia-Novo Marketing.

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