Nizan Guanaes e Fábio Fernandes | Como fica a publicidade em tempos de crise?

23 October 2008 8 Comentários

O bate-boca entre Fábio Fernandes e Nizan Guanaes no MaxiMídia foi assunto na blogosfera especializada e, como previu o amigo Alex Luna, faltou gente querendo discutir o assunto e não o quebra pau.

O tema do debate foi “Indústria da Comunicação - Oportunidades e Riscos”. E embora a troca de farpas e ofensas tenha sido destaque, algo que marcou foi a grande diferença de visão do papel da publicidade nos tempos de crise entre Fábio Fernandes, da F/Nazca, e Nizan Guanaes, da Africa.

Sem analisar a trajetória de cada um, o debate mostra que enquanto Fábio Fernandes é o publicitário que defende o rótulo “cult” da publicidade, Nizan Guanaes defende o “business”.

Penso que deve haver um equilíbrio entre as duas formas de gestão.

Já sobre o momento de crise, que é onde a diferença de idéias aparece mais, tendo para o lado do Fábio.

Acredito que momento de crise é o momento que mais precisa de publicidade criativa, inovadora e surpreendente.

O ser humano tem medo por natureza. Se uma marca está com receio de investir em comunicação, pode apostar que outras tantas do mercado também estão. Ao invés de abaixar a cabeça e se deixar levar pelo movimento coletivo, quem ergue o peito e dá a cara a tapa tem chances muito maiores de ter um resultado acima da média.

E isso não é privilégio das pequenas e médias empresas ou startups. Se fortalecer na crise ao invés de se esconder e esperar o perigo passar é uma grande oportunidade, e não ameaça.

É aí que entra o tão conhecido, e não tão bem visto, “jeitinho brasileiro”. No caos, na dificuldade e na escassez é que surgem grandes idéias e soluções. Um tanto por ter pouco a perder (ou muito), outro por simplesmente acreditar no resultado e nos frutos que podem vir.

Quando está todo mundo acuado, quem é ousado vira referência.

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8 Comentários »

  • Caio Blumer disse:

    Poizé Rafa, eu acho que o Fábio levantou uma lebre interessante, mas que não justificou aquela “discussão” no meio do MaxiMídia.

    Achei bem ruim pra imagem de todos nós que trabalhamos com isso a exaltação de ambos, inclusive das ironias do Nizan.

    Mas fato é que o Fábio levantou a lebre e eu creio (e vivencio isso trabalhando numa empresa americana) que a crise vai fazer a galera dançar um samba sim. É preciso saber levar com jeitinho e espremer a criatividade ao máximo para extrair dela o melhor e…com a verba curtíssima. Esse pensamento de ficar resguardando e se conservando demais com formulas eu já vivenciei, e pode até dar certo, mas não tendo em vista o rebolado que vamos ter que dar diante das baixíssimas verbas e outras dificuldades.

    Abraço!!!

    O último post de Caio Blumer foi Seleção Brasileira de Fustal é Campeã Mundial

  • Rodrigo Alexandre Coelho disse:

    Alguns podem ver a visão do Fábio Fernandes como romântica ou oportunista (acho que ela tem um pouco dos dois), mas não posso deixar de concordar com ele. E isso é independente do momento específico, que é de crise, mas ligado a própria sobrevivência do negócio de propaganda, que tem, necessariamente, que se reinventar e rever suas funções e práticas.
    Falamos cotidianamente na mudança que os consumidores as pessoas vêem sofrendo, falamos cotidianamente das mudanças que a internet e as novas mídias vêem trazendo, falamos cotidianamente de uma série de mudanças necessárias à publicidade, mas onde elas estão? Elas parecem sempre casos isolados e exemplares e não uma postura. Ou seja, ou estamos errados em apostar na inovação e na criatividade ou muitos estão a um passo do abismo.
    Mesmo com que eu considere esta dúvida, prefiro arriscar e ter a chance de alcançar resultados extraordinários.

    O último post de Rodrigo Alexandre Coelho foi Post pago ou post patrocinado?

  • Iasnara disse:

    “two girls one cup versao crise financeira”
    #queriaterdito

  • Higor Franco disse:

    Tenho a mesma opnião. Época melhor para inovar e criar talvez não exista…

  • Alex Luna disse:

    em um dos poucos blogs q discutiram o assunto do conteúdo, eu vi um cara defendendo o nizan com argumentos até bastante lógicos:

    também há muitos criativos que defendem a criatividade acima de tudo, mesmo que não seja o melhor para o cliente. é também um problema, quando algo que funciona tem q ser mudado por ser inovador, ou algo tem q ser obrigatoriamente careta pq o cliente acha q funciona.

    são dois extremos, e normalmente os extremos nunca são positivos. IMHO.

    O último post de Alex Luna foi links for 2008-10-24

  • Justale disse:

    Adorei seu blog! Muito bom o artigo sobre as ferramentas para identificar tendências.

    Obrigada por participar do Justale Livros!
    Abraços

    O último post de Justale foi Os filhos do imperador - de Claire Messud

  • Leandro Macedo disse:

    E ae Rafael, blz?

    Cara, eu nem tinha visto esse post ainda, ando meio atolado de trampo esses dias… Inclusive postei algo sobre essa “baixaria”. Você chegou ver o suposto comunicado interno que o Fabio mandou para o pessoal da F/Nazca?

    Enfim… concordo contigo, em época de crise é que as pessoas tem que ser criativas e fazer a coisa acontecer sem tanta verba. É em época de crise que surgem as oportunidades de se inovar, de seguir caminhos diferentes na criação. Acho que o Nizan foi político e radical demais em relação ao cenário brasileiro…

    É isso aí, eu acho que essa história entre os 2 ainda vai ter muita coisa para rolar!

    Abraço : )

    O último post de Leandro Macedo foi Open Polytechnic of New Zealand: Open world

  • Rafael Amaral disse:

    Obrigado pelos comentários, pessoal!

    Pelo jeito, toda essa polêmica morreu em poucos dias.

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