O buraco e o remédio
Cheguei a sugerir, certa vez em conversa com colegas de classe da faculdade, que fosse criado um curso de especialização ou até mesmo uma habilitação em “como fazer briefing”.
Sofri e ainda sofro com o buraco que insiste em existir entre o cliente e a criação, mesmo numa house, que é mais ou menos o caso do Teatro de Tábuas.
Depois de muito praguejar, acabei por me dar conta (ou me convencer, ou, sei lá, engolir) que esse buraco sempre vai existir, não importa o esforço que façamos.
Não falo isso com mágoa, nem tampouco P da vida. Só constatei que todo o processo é feito por pessoas que tem seus jeitos e seus trejeitos, que isso leva a não raros e inevitáveis problemas de comunicação, convivência, organizacionais e até semióticos. E são problemas que a humanidade vem tentando solucionar há milênios!
Como tem por aí profissionais muito mais gabaritados a discutir as raízes destas questões do que nós, meros publicitários, nos colocamos, eu e meu eu lírico, a conjecturar sobre as possíveis soluções deste problema.
Surpreendentemente, numas daquelas coincidências inexplicáveis promovidas por sei lá o que do universo, ontem tive uma aula exatamente sobre isso. A solução sugerida pelo profissional que estava diante da platéia desinteressada (suma de uma aula na faculdade de PP da PUC Campinas) é exatamente a que eu imaginava, mas sobre a qual não tinha convicção, dentro da minha já não tão grande ignorância sobre o funcionalismo de uma empresa de comunicação. Simples: maior envolvimento de todos os profissionais, de todas as áreas, em todas as fases do processo!
Não me surpreende saber que muitas agências fazem isso. Mas sei que muitas (a maioria, talvez?) não fazem.
É verdade que esses meus resmungos são resquícios da péssima experiência que tive numa agencia (coça minha mão pra digitar o nome da agência, mas não acho que isso é coisa que se faça).
Certa vez, nesta agência, o atendimento me disse pra refazer um logotipo porque o cliente não ia aprovar aquele. Insisti que mandasse, pelo menos pra que eu tivesse um feedback e então uma idéia de que caminho seguir, já que o briefing era desprezível (É… Não tinha adiantado eu reclamar do briefing…). A resposta do cliente foi um dos maiores elogios que já recebi enquanto publicitário. Adorou, sugeriu uma pequena alteração que acabou não passando e o logo foi aprovado (com louvores, da parte do cliente).
Na reunião seguinte fui repreendido (e porque não dizer retaliado) pela direção da agência, que me deu ordens expressas de seguir as recomendações (que passaram a parecer exigências) do atendimento, pois “é o atendimento que sabe do cliente” (Ô! Sabia muito, mesmo…). O resultado foi que acabei saindo de lá.
Somente um exemplo do que passei pra ilustrar o meu “resmungo” e sustentar essa idéia de que tem gente que prefere dificultar as coisas.
E esses entraves no processo muitas vezes são promovidos pelos que deveriam ser os mais interessados em fazer o sistema andar: os donos e diretores de agências.
Que me perdoem e que saibam do meu apreço as agências que promovem a interação das áreas e que, com isso, certamente mantém um ambiente propício à realização de excelentes trabalhos. É que esse tradicionalismo burro (ou burrice propriamente dita) já deveria ter sido banido do nosso meio e merece todo protesto.
Gui Pignata é músico, bacharel em Música Popular pela Unicamp, estudante de Publicidade e Propaganda da PUC-Campinas e designer gráfico da ONG Teatro de Tábuas.
Contato: guipignata@gmail.com









Seu post me faz lembrar de uma entrevista com Walter Longo [ http://novamidia-novomarketing.blogspot.com/2008/03/nova-mdia-novo-marketing-por-walter.html ], em determinado momento ele fala da idéia de que todo profissional é um criativo, ou tem uma “criatividade” para contribuir, ou seja, toda pessoa, funcionário, setor…, enfim, tem algo para contribuir que vai além das suas tarefas burocráticas cotidianas. Ele fala ainda que processos assim ajudam em muito a aumentar o comprometimento de todos com os projetos, afinal todos são ou podem ser autores.
Bom exemplo de como criar bons relacionamentos, boas campanhas e diminuir a chance de algo se perder pelo caminho, como teria acontecia no episódio que você narrou (em verdade aconteceu, não é?! afinal você saiu!).
Abraços! O novo design do blog ficou ótimo!
Rodrigo Alexandre Coelho’s last blog post..Fanta | Imagine!
Eis o famoso “jeitinho brasileiro”! Fica tão mais fácil e (aparentemente) mais rápido fazer as coisas de qualquer jeito, que as agências acabam “não tendo tempo” de criar uma rotina de relacionamento interno!!
Rotina essa que, na teoria, acaba se tornando cansativa como foi essa aula de ontem (sim, eu também estava lá!) e, por que não dizer redundante para quem tem ou já teve um dedinho dentro de uma agência. De qualquer forma, regras serão sempre regras.
Também dizem que devemos usar cinto de segurança no banco de trás, não ultrapassar o sinal vermelho..
Olá Gabriela,
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Atenciosamente,
Fábio Allves
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Bom, concordo com o que você disse em relação a cada pessoa ter um jeito, um trejeito e tudo mais, mas isso não pode prejudicar o trabalho final em si. Ainda não tive experiência em agência, tristi sina a minha de procurar estágio, mas acredito muito que devemos estar apenas onde somos reconhecidos e podemos aprender algo, se não sonmos reconhecidos ao mesmo que tenhamos chances para mudar a cabeça de alguém lá dentro antes de sair, pq mudar a dos donos e diretoria realmente vai ser difícil. mas tá aí as regras estão em todos os lugares, ou nso adaptamos ou criamos as nossas, claro com riscos de exclusão..
abraços e ótimo blog
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