O buraco e o remédio

25 March 2008 4 Comentários

Cheguei a sugerir, certa vez em conversa com colegas de classe da faculdade, que fosse criado um curso de especialização ou até mesmo uma habilitação em “como fazer briefing”.

Sofri e ainda sofro com o buraco que insiste em existir entre o cliente e a criação, mesmo numa house, que é mais ou menos o caso do Teatro de Tábuas.headache.jpg

Depois de muito praguejar, acabei por me dar conta (ou me convencer, ou, sei lá, engolir) que esse buraco sempre vai existir, não importa o esforço que façamos.

Não falo isso com mágoa, nem tampouco P da vida. Só constatei que todo o processo é feito por pessoas que tem seus jeitos e seus trejeitos, que isso leva a não raros e inevitáveis problemas de comunicação, convivência, organizacionais e até semióticos. E são problemas que a humanidade vem tentando solucionar há milênios!

Como tem por aí profissionais muito mais gabaritados a discutir as raízes destas questões do que nós, meros publicitários, nos colocamos, eu e meu eu lírico, a conjecturar sobre as possíveis soluções deste problema.

Surpreendentemente, numas daquelas coincidências inexplicáveis promovidas por sei lá o que do universo, ontem tive uma aula exatamente sobre isso. A solução sugerida pelo profissional que estava diante da platéia desinteressada (suma de uma aula na faculdade de PP da PUC Campinas) é exatamente a que eu imaginava, mas sobre a qual não tinha convicção, dentro da minha já não tão grande ignorância sobre o funcionalismo de uma empresa de comunicação. Simples: maior envolvimento de todos os profissionais, de todas as áreas, em todas as fases do processo!

Não me surpreende saber que muitas agências fazem isso. Mas sei que muitas (a maioria, talvez?) não fazem.

É verdade que esses meus resmungos são resquícios da péssima experiência que tive numa agencia (coça minha mão pra digitar o nome da agência, mas não acho que isso é coisa que se faça).

Certa vez, nesta agência, o atendimento me disse pra refazer um logotipo porque o cliente não ia aprovar aquele. Insisti que mandasse, pelo menos pra que eu tivesse um feedback e então uma idéia de que caminho seguir, já que o briefing era desprezível (É… Não tinha adiantado eu reclamar do briefing…). A resposta do cliente foi um dos maiores elogios que já recebi enquanto publicitário. Adorou, sugeriu uma pequena alteração que acabou não passando e o logo foi aprovado (com louvores, da parte do cliente).

Na reunião seguinte fui repreendido (e porque não dizer retaliado) pela direção da agência, que me deu ordens expressas de seguir as recomendações (que passaram a parecer exigências) do atendimento, pois “é o atendimento que sabe do cliente” (Ô! Sabia muito, mesmo…). O resultado foi que acabei saindo de lá.

Somente um exemplo do que passei pra ilustrar o meu “resmungo” e sustentar essa idéia de que tem gente que prefere dificultar as coisas.

E esses entraves no processo muitas vezes são promovidos pelos que deveriam ser os mais interessados em fazer o sistema andar: os donos e diretores de agências.

Que me perdoem e que saibam do meu apreço as agências que promovem a interação das áreas e que, com isso, certamente mantém um ambiente propício à realização de excelentes trabalhos. É que esse tradicionalismo burro (ou burrice propriamente dita) já deveria ter sido banido do nosso meio e merece todo protesto.

guilherme.jpgGui Pignata é músico, bacharel em Música Popular pela Unicamp, estudante de Publicidade e Propaganda da PUC-Campinas e designer gráfico da ONG Teatro de Tábuas.
Contato: guipignata@gmail.com

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