Pedra no sapato da CGP

15 April 2008 0 Comentários

Por Gui Pignata

Theodore Levitt, professor de Administração de Empresas em Harvard, publicou na Harvard Business Review um artigo intitulado “Miopia em Marketing”. Neste texto, Levitt menciona entre os comportamentos empresariais nocivos à atividade a “crença de que não há substituto que possa concorrer com seu produto”.

Aconteceu com a Bombril. Tempos atrás se acomodou sob a guarda dos mais de 90% que possuía do mercado de palha-de-aço e quando se deu conta do perigo que a presença do Assolan representava já não era mais líder tão absoluto assim.

Relativamente fácil de contra atacar, embora não me pareça tão fácil reverter o quadro, já que a ameaça tem nome, sobrenome e endereço fixo. É o que a economia chama de “substituto direto”.

E a Rede Globo?

A Revista Pasta do último bimestre de 2007 (se não me engano) publicou reportagem que alardeava a sensível perda de audiência da emissora nos horários considerados de ouro. A queda na audiência do Fantástico (ou devo dizer Cansástico, como dizem por aí?!) não tem precedentes.

A própria Globo atribui a queda, em princípio, a uma possível migração da audiência para outros canais abertos, mas não foi isso que aconteceu.

A mim não surpreende. A qualidade da programação da TV aberta aos domingos, especialmente, é bastante questionável há tempos!
A toda poderosa Globo parece ter esquecido do famigerado Padrão Globo de

Qualidade e insiste em atrações burras e cansativas: O Faustão com sua Dança dos Famosos, o Big Brother e as novelas, entre outros, tem sido de uma mesmice desestimulante para o telespectador.

É só prestar um pouquinho de atenção que a gente percebe o desespero.

Começou com a substituição súbita e sem explicação da Glória Maria (outro símbolo da chatice global, na minha opinião) pela Patrícia Poeta.

Depois, toda a publicidade com anúncios de páginas espelhadas nos jornais de maior circulação do Brasil sob o pretexto de divulgar o novo logo.

Voltou a fazer propaganda da própria programação numa quantidade tal que não fazia há muito tempo.

E não podia faltar a apelação.

O Controle da Concorrência divulgou estatística que mostra, na semana de 6 à 11 de abril, a ocupação de uma média de 14% da programação jornalística pra falar do caso Isabella. Sensacionalismo! A Globo sempre disfarça quando apela pro sensacionalismo, mas dessa vez não parece estar muito preocupada com isso.

Antes que alguém aponte alguma falta de humanidade no meu comentário, faço minhas as palavras do Júlio Moreira: “Não se trata de não noticiar. Notícia é notícia e tem que ser dada, mas é necessário conceituar os fatos como eles são. Não se pode tratar um problema social desta ordem apenas com sensacionalismo.”

Talvez esse desespero jaza no fato de os executivos da Globo já terem percebido que a audiência não tem ido para as concorrentes diretas, mas, principalmente, para outras mídias.

Cá entre nós, se suas opções são assistir o Faustão, fazendo as mesmas brincadeiras de 15 anos atrás e passando vídeo-cassetadas repetidas, ou ir a um bar com os amigos ou levar sua(seu) namorada(o) ao cinema, o que você vai escolher?!

A conclusão a que chega o Dr. Wagner Geribello, professor de Novas Tecnologias em Comunicação da PUC-Campinas, é que está aí nosso grande desafio: Se esse processo de migração dos públicos para outras mídias e atividades é inevitável, como tudo indica que é, onde estarão essas pessoas e pra onde elas estarão olhando pra que nossa comunicação as atinja?

guilherme.jpgGui Pignata é músico, bacharel em Música Popular pela Unicamp, estudante de Publicidade e Propaganda da PUC-Campinas e designer gráfico da ONG Teatro de Tábuas.
Contato: guipignata@gmail.com

Posts relacionados

Deixe seu comentário!

*
To prove you're a person (not a spam script), type the security word shown in the picture. Click on the picture to hear an audio file of the word.
Click to hear an audio file of the anti-spam word