Definir um público pela idade é miopia

Fazer TCC em curso de comunicação social, precisamente em publicidade e propaganda, é bastante revelador.

Durante a elaboração do meu, deu para perceber bem o quão ignorante é usar o parâmetro idade como dado demográfico.

Durante o curso você é “treinado” a identificar públicos para campanhas que geralmente seguem o padrão “mulheres de 18 a 25 anos, de classe B+  que realizam as tarefas da casa”.

Bobagem. Fora a idéia de tribos de brand já discutida aqui no blog, usar a idade para limitar a comunicação isoladamente não me parece nada racional.

Uma grande coisa a ser levada em consideração são as mudanças de comportamento observadas nas pessoas. Não se vive mais baseado em idade, ou melhor, em estereótipos de idade.

Isso sem contar que as diferenças entre uma mulher de 18 anos e uma de 25 são hoje gigantescas. O comportamento é totalmente diferente.

Mas o mais perigoso é que quando se baseia em uma determinada faixa etária, desconsidera-se influenciadores e outras pessoas a quem a mensagem também é relevante, só pelo fato de não se encaixarem no padrão de idade.

A idade, na maioria dos casos, não é importante. O que conta é a palavra gasta relevância.

Alguns tipos de mensagem funcionam melhor para determinados perfis como uma adolescente e uma senhora, mas a minha aposta é rever os métodos de identificar o target, considerando dados como interesses, localização, estilo de vida, grupos de afinidade e outros dados psicográficos.

Afinal, quem nunca mentiu sobre a idade?


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  • 13 Comentários to “Definir um público pela idade é miopia”

    1. Tiago Moralles
      November 21st, 2008 at 6:31 pm

      Cara, vou comentar uma coisa que até hoje acho eu não te disse.

      O que mais gosto no Estagiaridade é sua capacidade de tecer um tema em pouco espaço. Essa obejetividade com certeza é um dos fatores determinantes para quem visita seu blog.

      Concordo contigo quando disse que é miopia a definição por idade, dentro das faixas etárias somos cada vez mais subdivididos, e poder ver isso é realmente ter visão.

      O último post de Tiago Moralles foi 1980

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    2. Duda Pan
      November 21st, 2008 at 6:33 pm

      Eae Rafael.

      Concordo contigo, classificar público pela idade é bastante arriscado.
      Nós aqui na agência estamos buscando fugir um pouco disso e partindo para outras referências. O resultado por enquanto tem sido satisfatório.

      abs

      O último post de Duda Pan foi Nimbus / Rice Krispies Squares

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    3. Rafael Amaral
      November 22nd, 2008 at 10:20 am

      Uia! Obrigado pelo elogio, Tiago ;)

      Duda, que bacana. Mostre um pouco pra gente o resultado dessa nova postura nos trabalhos da sua agência.

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    4. Thiago Valenti
      November 22nd, 2008 at 7:12 pm

      Rafael,

      “mas a minha aposta é rever os métodos de identificar o target”, quer dizer que o seu TCC é um desenvolvimento desse tema? Se for, por favor, publique aqui para a gente dar uma olhada, que com certeza vai ser coisa boa.

      Nada mais útil do que questionar aquelas verdades-únicas que o tal “mercado” que enfiar na cabeça de todos, e achar novos métodos para melhorar o que se faz.

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    5. Leandro Bulkool
      November 22nd, 2008 at 9:55 pm

      Rafael, só temos que ter cuidado para não substituir um único parâmetro por outro. Este é o problema da segmentação por um único quesito. Vou explanar um pouco…

      Você já parou para pensar que mesmo alguém que receba apenas R$ 1.000,00 / mês pode comprar um carro de 60 mil? Você também já deve ter parado para pensar que existem pessoas com 30 anos que ainda andam de skate, praticam surf ou jogam video-game (na verdade, o público mais consumidor de video-game está nesta faixa). Este é o problema, antes um único quesito definia claramente um público, hoje precisamos somar vários, então devemos responder o máximo de perguntas para definir o alvo.

      Qual é o benefício disto? Praticamente o de colocar uma mira telescópica no seu rifle.

      O último post de Leandro Bulkool foi Quando as coisas começaram a ser politicamente corretas?

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    6. Victor Corte Real
      November 25th, 2008 at 2:24 pm

      Excelente post Rafael!!! Legal ler seu texto, principalmente tendo acompanhado e orientado o desenvolvimento de seu TCC. Fico feliz pelo fato de vc ter sacado (não só agora na reta final, pois é visível seu posicionamento crítico desde o início do curso… e isso é muito bom, quem dera poder trabalhar com mais alunos assim) que algumas “regras” não podem mais existir dentro do “fazer publicidade”.
      Definir público talvez seja uma das mais delicadas e complicadas… tanto pro pessoal de criação, como de mídia.
      Gostei muito do comentário de Leandro Bulkool, também acho q faixa etária, renda, Critério Brasil, etc. já não definem muita coisa na propaganda, no máximo apontam um caminho q muitas vezes parece mais loteria.
      O pior é q a Editora Abril e a Rede Globo, só pra citar duas gigantes midiáticas, continuam apresentando o perfil das revistas e programas nesse jurássica escala de público.
      Acredito q nosso desafio e, consequentemente, nosso objetivo seja entender hábitos e criar de forma q as campanhas tenham potencial viral e ganhem vida própria e repercussão. Não sei se é possível mirar de forma “telescópica” como mencionou o Leandro, porque não acredito, ainda, na viabilidade de campanhas tão segmentadas e personalizadas… a não ser nos casos, ainda bem limitados e experimentais, de propagandas criadas pelo próprio público.

      O último post de Victor Corte Real foi Outdoor humano

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    7. André Chapetta
      November 27th, 2008 at 1:15 pm

      Boa, Rafa. Falou td: RELEVÂNCIA e afinidade.

      Targeting pela idade é uma coisa tão falha quanto o famigerado Critério Brasil – embora a maioria das grandes agências e institutos de pesquisa seja adepta de ambos os critérios, infelizmente.

      Abraços.

      O último post de André Chapetta foi andrechapetta: é velho, eu sei. mas pra mim é atemporal: http://tinyurl.com/6olzrr

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    8. magnólia
      December 2nd, 2008 at 7:41 pm

      a original :www.colorsmagazine.com/home/?p=81

      A suposta cópia: http://www.artc.com.br/novo/portfolio/campanhas/43.html

      veja ai uma chupada de uma renomada agênncia do RN
      a ARt&C de natal

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    9. Brunno Apolonio
      December 3rd, 2008 at 3:29 pm

      Fala, Rafael. Parabéns pela relevância de conteúdos aqui no teu blog.
      Poisé, eu vejo esta dificuldade na prática. O problema, aqui no mercado publicitário do Norte, ainda esbarra quando a gente não tem institutos de pesquisas locais capazes de trabalhar em cima desses insights, ou quando a agência recebe uma proposta de estudo detalhado do público-alvo levando em consideração as suas peculiaridades o cliente vira pra nossa cara e diz simplesmente que não vê necessidade de fazer tal investimento.
      Então o que a gente faz? Tenta não achar que os dados do IBOPE e a sua classificação são Deuses, e começa a tentar pensar de uma maneira diferente, mesmo que isso implique em riscos para a agência e consequentemente para o seu próprio emprego.

      Mas a gente vai lutando, né?
      Lutando, estudando, e catequisando os empresários. Numa maneira de amadurecer a idéia do planejamento de comunicação dentro do mercado regional, principalmente no Estado do Pará.

      Vejo que você é interessado em construção de marcas, relevância, planejamento e assuntos relacionados. O teu blog tá de parabéns, e se precisar de alguém pra discutir sobre, ensinar, e quiçá aprender alguma coisa estamos aí. É conversando que a gente constroi essa maturidade. Pra trabalhar melhor, sermos ouvidos, e construirmos um imagem que a gente acredita que seja a certa.

      Estou começando a me programar pra seguir a carreira de planner e, se você achar interessante, a gente pode discutir trocar umas idéias.

      abraço

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    10. Rafael Amaral
      December 9th, 2008 at 4:35 pm

      Thiago Valenti: Obrigado pelo comentário. Meu tcc foi a elaboração de uma campanha publicitária, devido aos moldes acadêmicos da instituição. No problem. Gostei da sua idéia, ahco que vou desenvolver um estudo por conta sobre esse assunto. Abraços!

      Victor Corte Real: Pronto, chorei. Professor meu comentando assim é uma delícia. Você tocou em um ponto interessante, não é o caso de inverter o processo e as agências começarem a cobrar das mídias outros dados de segmentação?

      André Chappeta: Exato. Apesar do embasamento teórico, com todas as mudanças acontecendo rapidamente na comunicação, fica uma impressão de “fazemos assim porque foi sempre assim”.

      Magnólia: ?

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    11. Rafael Amaral
      December 9th, 2008 at 4:38 pm

      Brunno Apolonio:

      Obrigado pelo elogio e pela visita ;D

      Planejamento é uma área que me fascina. Vamos conversar mais, com certeza.

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    12. Ivo Solano
      January 13th, 2009 at 11:53 am

      Bom, também não acho que a idade deva ser usada como fator classificatório EXCLUSIVAMENTE, mas não vejo motivo pra não usar também. Se, digamos, 60% do target tem 18-25 anos, porque não dizer que o target PRINCIPAL tem essa idade? Não se pode é fazer as coisas pensando SÓ nesse target. aí, é loucura.

      O último post de Ivo Solano foi SUPER MARIO JAPONÊS

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    13. wemerson
      January 28th, 2009 at 3:32 pm

      Muita Boa, a observção que o autor do texto levantou.

      Faculdades de publicidade hoje se adestraram e determninaram um padrão engessado de como atingir com total poder o seu público alvo.
      E se deixam esqueçer que o mundo não é feito de esterotipos e que o mundo gira.

      O último post de wemerson foi O Mais Sincero Beijo.

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