Um tapa na cara do tradicionalismo
O argumento intimidador do editor do Advertising Age, Bob Garfield, no Proxxima 2008, já rende embasamento suficiente para o título deste artigo.
“Se 31% das pessoas presentes neste auditório trabalham em agências, 29% de vocês are fucked”
Segundo Bob, nada na nova estrutura de compensação no mundo digital vai dar para as agências uma rentabilidade próxima da que elas apresentam hoje.
Mas uma discussão aprofundada sobre uma reformulação nos modelos de faturamento está ligada, a meu ver, a uma visão da qual não compartilha grande parte das agências que atuam no Brasil. Principalmente as mais afastadas dos grandes centros.
O CENP acusa 3725 agências certificadas em território nacional. Destas, muitas conhecem blogs, formas alternativas de marketing e colaborativismo. Mas e deste número, essencialmente, quantas acreditam e assumem esta tendência como realidade?
Por mais que seja bacana, cool ou in, estar a par destes assuntos nas rodinhas de publicitários, a distância entre a teoria e a prática ainda é grande. Nada mais natural, visto a situação atual das relações agência-cliente-consumidor.
E é por esse tipo de atitude ser reincidente e até imutável no raciocínio de gestores de agências que, por vezes, dá gosto ver o tradicionalismo apanhando sem chances de revide.
Para ser mais recente, através da dica do Hélcio soube da campanha de lançamento do Tava, a nova bebida com zero calorias da Pepsi.
Nada de TV, jornais ou revistas. A estratégia é fortalecida online com website, ações em banners e samplings em eventos ou empresas relacionadas ao target.
E cuidado para não se precipitar e dizer que exemplos como este existem aos montes, bastando apenas uma rápida ajuda do Google. Atente-se ao target, como mostra a matéria do The New York Times:
“That would not be an unusual introduction if Tava were intended for the younger consumers who have grown up in a digital world. But the product, which is fruit-flavored and caffeine-free, is being aimed primarily at men and women ages 35 to 49”
É incoerente dizer que essa mudança vai se concretizar da noite pro dia. E ignorância acreditar que é apenas trendy, passageiro e que se limitará aos grandes anunciantes das metrópoles. Logo logo aquele tiozinho que dirige um cliente de peso da sua carteira vai se tocar que nem toda agência de interior carrega o estereótipo caipira.
Artigo originalmente publicado em 18/03/2008 na Casa do Galo










Aquela agência pequena, que fazia rádio e carro de som, no interior de Pernambuco, pode fazer uma web. Ou uma ação em celulares, apenas na região. Ou um vídeo no YouTube.
Democratizamos a possibilidade de criação. A única coisa que não muda, e que nunca vai mudar, é a capacidade de algumas (e poucoas) pessoas de verem o que ninguém vê, e que normalmente é óbvio.
Mas atualmente ninguém é tradicionalista. Os que fingem que são é porque ainda não sabem pra que lado correr, ou vão se aposentar em menos de 5 anos.
Muito bem dito Alex!
E destes que vão se aposentar em menos de 5 anos, muitos nem o sabem ainda.
Obrtigado pela visita!
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